ESTRANHA SAUDADE ( Leni )

Que saudade é essa
que me sangra o peito e me corrói a alma ?!
Que estranhas lembranças
invadem meus sonhos, percorrem minh’alma !
Que dor mais doída,
essa que me acompanha em noites mal dormidas !

Será de um tempo que eu nunca vivi ?
mas queria tanto…!
ou será da vida que tive e perdí ?
triste desencanto…!

Tento não lembrar esse profundo abismo,
sentimento insano…
mas quando adormeço, fica mais intensa
a dor dessa verdade
e revive a história que deixei num tempo
que ficou distante…

Será que é saudade de antigos sonhos,
que nunca vivi?
Ou, talvez, lembranças de um feliz passado,
que nem conheci?

Restos de saudade…de uma promessa de felicidade
que perdí no tempo e nem sequer vivi…
É uma falta que nem sei do que
uma saudade que nem sei de onde
é nostalgia que me tira a calma…
que me sangra o peito e me corrói a alma…

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AUSÊNCIA (Leni)

Num dia triste e sem graça,
mais outono, que verão…com vento frio, soprando
e a chuva, querendo cair, invadindo a estação…

Você partiu…sem aviso…
sem carta…sem despedida…
suavemente e tranquila,
como foi a tua vida.

Não adiantaram pranto, tristeza, preces nem luto…
a cama ficou vazia…
aqui, só restou teu fruto.

Eram dois…sobreviveram
sem alento…sem você…
Seguiram em frente, sozinhos,
cercados por tanta gente…
tremendamente sozinhos!

Hoje, adultos, vida afora,
maturaram em estufas
passando anos inteiros buscando tua raiz.
Choramos há 15 anos, esse espaço tão vazio.
Temos saudade de tudo que você foi e seria…

Todos sofrem…teus alunos, teu coral, tua família.
Todos choram a ausência
dessa mulher verdadeira, destemida e tão criança !

Descansa, Lia-menina…
Lia-mulher, companheira…
Nós aqui, não te esquecemos, minha fiel escudeira…

Por tantos sonhos sonhados, sonhos de uma vida inteira
que você deixou pra trás,
nós te rendemos tributo,
eternamente de luto por você, meu ombro amigo…

Esposa e mãe valorosa,
filha, irmã, amiga, tia…
Essa era nossa Lia
essa era nossa pomba, que voou num certo dia…
escapou de nossas mãos, voando em rumo certeiro,
pra glória, pro infinito,
para um lugar tão bonito que Jesus lhe reservou.

Aumentaram as estrelas e as luzes, no infinito
por esse canto bonito, que a todos contagiou
e enquanto aqui caminhava, você nos presenteou.

Agora, voa e brilha no céu azul dos teus sonhos
pois nossos olhos, tristonhos, não te alcançarão jamais.
Voa…garça destemida…
Voa…andorinha livre…

Há 15 anos sofridos, essa dor nos ameaça
pois você se foi pra sempre e nos deixou, desde então…
partindo pro teu destino,
num dia triste e sem graça
mais outono…que verão..

TRISTE MANHÃ (Leni)

Nesta manhã…sem vida, amanhecí vazia
e nem sol existia, em meus olhos de inverno
e nem vida em meus sonhos, calor em meus lábios.
Já nada mais havia, na triste manhã…
louca manhã sem sol, manhã sem poesia.

Nem a lua, que ontem brilhava, sorrindo,
possuia também o esplendor tão profundo
que nas noites sem vida, acalentou meu mundo.

E calada…fiquei observando o nada
que em mim penetrou, na infeliz madrugada
quando o sol se escondeu e me deixou chorando,
pensativa e sozinha.

E sem você, sem sonho, a procurar alento,
eu chorei… e nem viver sequer mais, eu queria.
Sem alento, calada, solucei perdida.
E na manhã vazia…amanhecí sem vida.