VIDA VAZIA (leni)

Foi loucura buscar esse amor de amarguras
foi loucura buscar-te e sonhar com teus beijos
pois sabia que a vida não tinha beleza
e o mundo era mau, mentiroso e perverso…

Foi loucura pensar que eras meu…que era tua…
e querer incessante, ficar ao teu lado
pois sabia que a vida não tinha beleza
e meu mundo há muito, já estava acabado…

Foi loucura sorrir e sonhar acordada,
procurando nos sonhos alento pra vida
e querer encontrar a alegria almejada
pra uma vida sem paz…uma vida perdida.

É loucura esse mundo, loucura essa vida,
é loucura amar…e o impossível querer
mas no mundo, sozinha, caminhando perdida,
a maior das loucuras, é querer viver…

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ESTRADA VAZIA (leni)

Se um dia você partir, leva também essa lua,
pois não a quero comigo,
iluminando as estradas que sozinha irei seguir…

Quero bem escura a noite
e sem luz o meu caminho
pra que ninguém reconheça esse vulto solitário
caminhando sem você…

Quero a noite, passo a passo, caminhar esse caminho
e chorar o meu fracasso
e esse resto de saudade…

Quero me perder na noite e não achar a saída…
quero ficar esquecida e definhar pouco a pouco,
nessa estrada que era nossa…

Quero escrever inda um pouco,
depois morrer em meus versos…
quero ainda achar um tema, que possa falar de nós
e deixar para você esse resto de poema…

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FEBRE DE AMOR ( leni )

Eu pensei que pudesse esquecer teu carinho
e nunca mais sentir dentro em mim, a ilusão
que nasceu e ora vive esmagando-me a vida
num constante sofrer, em meus olhos vazios.

Eu pensei que na vida outro alento encontrasse
e nunca mais voltasse a sentir o que sinto
e nunca mais sofresse por teu amor ingrato,
e por você, meu bem, eu nunca mais chorasse.

Eu pensei…e lutei…pois queria esquecer
o amor impossível que em mim despertara
e aos poucos crescera…e então, como espinho,
os meus sonhos de amor um a um, sufocara.

Mas eu não consegui afastar de meus sonhos
essa febre de amor que com fúria invadia
transtornando minh’alma, pensamento e vida
e não pude retê-la…e por ela morria.

Por esse amor sofrendo, vou seguindo sozinha
procurando consolo em meus olhos tristonhos
e voltarei chorando à minha triste estrada,
a andar, como sempre, em caminhos de sonhos…

PEDAÇO DE LUA… (Leni)

Todos os dias, assisto, da varanda, sempre atento,
ela passando…sozinha…seguindo com passos lentos,
olhos vividos, perdidos, carregando suas crenças,
corpo cedendo, tombado ao peso de seu cansaço.

Passa trôpega…e os pés, que pouco a pouco se movem,
arrastados, me comovem…
com a lentidão de seus passos.

Quantas vezes já passou por esses mesmos caminhos!
quantos passos caminhou, pra chegar devagarinho,
virando na mesma esquina…

Mas chega cedo demais !!
e ali, cansada, espera, encostada nas paredes,
que se abra o portão verde, pra entrar em seu refúgio.

Caminha mais e espia…a porta, ainda fechada !
para, senta e conformada, aguarda a hora de entrar.
Vem de longe, vem andando…
sob chuva, sol ou vento,
vem a procura de alento em sua fé costumeira.

Oito décadas e tanto…
denuncia, sem piedade, seu ralo cabelo branco…
Mas ela passa, vaidosa, retocando-se no espelho
apoiado em sua bolsa, em cima de seu joelho.

E eu fico olhando, com espanto, a força, a garra, a coragem,
de fazer essa viagem parecer tão prazerosa…
Quanto tempo inda lhe resta?
Não sei, mas sinto que a vida
lhe abastece de sonhos, que ativam a esperança
dessa mulher corajosa, que na fé encontra forças
pra esse caminhar diário…

E quando as portas se abrem…
ela entra, resoluta e abrindo então seu hinário,
senta…descansa…e…canta…!
No final, revigorada, retorna pra sua luta.

E na varanda, espero a volta com hora certa
dessa mulher cabisbaixa, que olhares sempre desperta,
quando passa em  minha rua.

Quando chega, ainda de dia, com o sol brilhando em seu rosto,
vejo clara a imagem sua…
Quando volta, me enternece, esse rosto renovado,
cintilando toda a rua
e aos meus olhos parece, que seu cabelo de prata
é um pedaço da lua…