PARA LACY D’ARAÚJO (Leni)

Sob um luar prateado, cobrindo de luz e prata
as folhagens das palmeiras da cidade de Manaus,
nasceu um pequeno cisne, de alvacentas plumagens,
que sonhava nadar longe…muito além do Amazonas.
E partiu para seu sonho, lá em Manacapurú.

O cisne nadou pra longe, acompanhado dos planos…
Nos rios, barcos partiam, levando tanta esperança!
E a menina-cisne branco ia repleta de sonhos,
ajudando a quem quisesse sair da escuridão,
clareando a mente e a vida de tantos quantos pudesse
levando sonho e esperança, afastando a cegueira
de tantos, que viam a luz através de seus ensinos.

Mas esse cisne incansável nadou para Coarí
e ensinou a tanta gente, a incansável Lacy…!
Um certo dia encontrou outro cisne em seu caminho
Não duvidou…era êle!
No coração, a certeza…na alma, a felicidade…
olhares se incendiaram de amor, assim que cruzaram
e logo logo, seriam, enfeitando a natureza,
dois cisnes brancos nadando pelas águas de Manaus.

Aquela ingênua menina, valente e tão sonhadora,
agora, plena de amor,
luta ao lado do marido, que guerreiro enfrenta a vida
tão valente quanto ela, em busca de seus caminhos.
Depois de lutas e planos,
chega seu primeiro filho…
o segundo…o terceiro…

Os cisnes, agora, passam por muitas tribulações
o barco que navegava, ameaçava afundar
mas ela, sempre remando, pra não perder seus filhotes,
navegava resoluta pelos rios do Amazonas.

Equilibrou o seu barco pelas águas turbulentas
e chegou mais uma filha…
Esta, “filha da promessa”…para equilibrar o barco.
Criou todos com amor e imensa dedicação.
Mas um dia, um deles voou para o céu, …para o infinito…
pra um lugar bem mais bonito, reservado por Jesus.

As águas do rio, sangraram com a lágrima dos cisnes
que ainda nadando juntos, lutavam por outros três.
Essa mulher valorosa, pondo em Cristo a esperança,
voltou a chorar seu pranto pelo cisne-companheiro
que agora nadava longe, distante de suas águas
e por seu primeiro filho, que desviando da rota,
navegou por outros rios.

E aquela menina ingênua, agora mulher de lutas
e de imensas vitórias…
trouxe, com sabedoria, seu filho de volta ao ninho.
Continuou no caminho, teve lutas e vitórias…
e nadou, pra buscar de volta, seu parceiro, que distante,
navegava em outros rios…
e voltou, recompensada, com os seus quatro tesouros
pra comemorar feliz as suas bodas de ouro…

Nadou feliz, e venceu !
Os sonhos do coração, que já havia esquecido,
por Cristo foram lembrados
e todos – de um a um -, foram assim compartilhados
pela família unida, que agora estava completa
com filhos…netos…bisnetos…
todos vivendo repletos de amor e cumplicidade.

E agora, depois de tudo, dos sonhos realizados,
seu amor – o cisne branco -, foi morar juntinho ao Pai.
E ela, agora sozinha, mas carregando a certeza
de um dia nadarem juntos, lado a lado, novamente
nas águas sem correnteza e claras do infinito.
O cisne branco-menina, sozinha, mas confiante,
nada agora, pra encontrar com seu amor que partiu.
“E o cisne vivo, cheio de saudade…”
espera o dia…e sabe que é verdade,
que em outro rio, transparente e calmo
de águas tão claras, lá na eternidade,
chegará com plumagens renovadas
e entrará na Glória…triunfante…
para viver ao lado do seu cisne…

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DESILUSÃO (Leni)

Sorrindo te busquei…e a brisa era amena
e podia até mesmo sorrir da tristeza
que tão alto cantava, querendo afastar
de minh’alma, a beleza.

Sorrindo te busquei…e a brisa era pura
e podia sorrir e sair pela rua,
sonhando, ansiosa, com o doce encanto
da presença tua…

Sorrindo te busquei…e a brisa era vida,
que iria de estrelas salpicar meu céu
de encantos e flores, enfeitar meu mundo,
de aromas e risos, coroar meu sonho.

Sorrindo te busquei…e eis que finalmente
te encontro, e…fatalmente, não me reconheces !
Nos olhos meus, não vês aquele brilho antigo,
pois perdi nos caminhos, a sonhar contigo

E sem poder sorrir, soluçando voltei
e maldisse aquela hora, que sorrindo te busquei..