PARALELOS (leni)

Você e eu…
dois corpos e dois temas
soltos no tempo e no mesmo espaço
seguindo sempre por caminho incerto
vidas partidas por quilômetros de passos…

Você e eu…
dois sonhos, duas rimas
dois pensamentos presos em dois temas
vagando errantes pelo infinito
somos versos incompletos, sem formar poema…

Você e eu…
dois mundos…infinito…
se procurando, sem poder se achar
distanciando-se sempre em seus caminhos
correndo juntos, sem nunca se alcançar…

Caminhamos em ângulos opostos
somos dois paralelos…dois fantoches…
Você e eu…
uma ilusão…duas saudades…

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PEDAÇO DE LUA… (Leni)

Todos os dias, assisto, da varanda, sempre atento,
ela passando…sozinha…seguindo com passos lentos,
olhos vividos, perdidos, carregando suas crenças,
corpo cedendo, tombado ao peso de seu cansaço.

Passa trôpega…e os pés, que pouco a pouco se movem,
arrastados, me comovem…
com a lentidão de seus passos.

Quantas vezes já passou por esses mesmos caminhos!
quantos passos caminhou, pra chegar devagarinho,
virando na mesma esquina…

Mas chega cedo demais !!
e ali, cansada, espera, encostada nas paredes,
que se abra o portão verde, pra entrar em seu refúgio.

Caminha mais e espia…a porta, ainda fechada !
para, senta e conformada, aguarda a hora de entrar.
Vem de longe, vem andando…
sob chuva, sol ou vento,
vem a procura de alento em sua fé costumeira.

Oito décadas e tanto…
denuncia, sem piedade, seu ralo cabelo branco…
Mas ela passa, vaidosa, retocando-se no espelho
apoiado em sua bolsa, em cima de seu joelho.

E eu fico olhando, com espanto, a força, a garra, a coragem,
de fazer essa viagem parecer tão prazerosa…
Quanto tempo inda lhe resta?
Não sei, mas sinto que a vida
lhe abastece de sonhos, que ativam a esperança
dessa mulher corajosa, que na fé encontra forças
pra esse caminhar diário…

E quando as portas se abrem…
ela entra, resoluta e abrindo então seu hinário,
senta…descansa…e…canta…!
No final, revigorada, retorna pra sua luta.

E na varanda, espero a volta com hora certa
dessa mulher cabisbaixa, que olhares sempre desperta,
quando passa em  minha rua.

Quando chega, ainda de dia, com o sol brilhando em seu rosto,
vejo clara a imagem sua…
Quando volta, me enternece, esse rosto renovado,
cintilando toda a rua
e aos meus olhos parece, que seu cabelo de prata
é um pedaço da lua…

S.O.S. (leni)

Não estou mais em teus sonhos,
nem sequer em tua vida desejas minha presença.
Não estou mais em teus planos,
mas, como sombra, insisto, em perseguir os teus passos.

Não percebes meu calor, não sentes minha tristeza.
Não vês, em meus olhos, pranto.
Em mim, já não vês mais nada,
pois feito sombra, em penumbra,
estou sem luz, apagada…

Não quero viver das cinzas,
e nem mais me rastejar.
Nunca mais quero te amar ,
nem mendigar teu carinho.

Vou encontrar  novo amor, que saiba me admirar
Que como eu, também queira, viver plenamente a vida
e não ficar definhando no coração de ninguém.
Viver minha plenitude, desfrutar a juventude,
pois ela é tão passageira!

Se alguém me quiser assim,
por favor, que me procure.
É um S.O.S. de amor
de alguém que  acordou agora,despertou de um pesadelo,
e precisa de carinho

ILUSÃO (Leni)

Eu esperei em vão, naquela noite fria,
tão escura noite !
As badaladas tristes, do relógio velho
relembravam sempre teu carinho ausente,
acordando, assim, o meu olhar parado,
que tranquilamente, sem chorar, dormia.

Eu esperei em vão, naquela noite fria,
tão escura noite!
e pressentia sempre, num delírio louco, teus passos chegando
e corria então, alucinadamente, ao teu bendito encontro.
E na cruel corrida, deparava sempre com a realidade,
que de olhar severo, cínica e maldosa, sem sorrir, me olhava.

Sem esperança e sonhos, a sentir a dor de uma esperança morta,
adormeci chorando, na imensa penumbra da sala vazia
pra no outro dia acordar sorrindo, para novos sonhos
e esse amor perdido, esperar, em vão, em outras noites frias.