MINHA PRECE (Leni)

Apenas por hoje vou esquecer que existes…
pois preciso fazer meu poema com calma.
Apenas por hoje quero ficar calada,
para ouvir o desabafo do meu melhor amigo
e permitir que ele fale e lhe mostrar que eu ouço.
Apenas por hoje quero sorrir bastante
e levar alegria a quem dela precisa
e a tanto tempo procura, sem que eu queira ajudá-lo.
Apenas por hoje quero olhar bem o mundo
e ver o quanto é lindo o manto da noite, descendo calado…
e encantada, quero assistir a flor desabrochando…
Apenas por hoje, quero ser bem feliz
e transmitir a todos que ao meu lado caminham,
a imensa alegria que em mim nunca se viu.
Apenas por hoje quero cumprimentar as estrelas
e agradecer a luz que deram ao meu caminho,
sem que eu nunca sequer, as tivesse percebido.
Apenas por hoje, quero socorrer alguem
e penetrar na alma do meu amigo tão próximo,
e compreender, sem esforço, o que ele precisa dizer.
Ao menos por hoje, quero fazer o bem
a alguém que se arraste em qualquer uma estrada,
que meu ego egoista jamais me levou.
Apenas por hoje vou pensar em viver
e socorrer meu próximo que de mim precisa,
pois sou útil à su’alma extremamente aflita !
E antes que esse hoje termine…e amanheça,
eu quero te pedir que de mim te apiades
e que apenas por hoje, permitas que eu adormeça…

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SONO DE POETA (leni)

Mergulhado em seus poemas,
ele repousa…tranquilo…
com um semblante sereno,
de quem navega em seus sonhos,
ele dorme…docemente…

Como é triste a sua vida !
como palhaço, no palco,
representa noite e dia
semeando em seus poemas,
o seu mundo imaginário.

Ele dorme…deixe que o faça…
Não o perturbe, pois sonhando,
está em seu mundo ilusório
e nesse estágio, é feliz
e sua paz é completa.

Não o traga para a vida
pois é triste a realidade,
quando se é um poeta…

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VIAGEM PROGRAMADA (leni)

E a mala pronta…eternamente pronta…
num canto ermo da imaginação.
E o sol na porta
me cobrando a vida,
me cobrando os sonhos,
me mostrando a hora

E a mala pronta…eternamente pronta…
e essa ilusão, a me chamar de volta.
E o sol na porta,
me mostrando a vida,
me mostrando os sonhos,
me cobrando a hora.

Lá fora, é dia…enquanto dentro, há noite…
E o sol na porta, enquanto dentro, há sombra.
Arrumo a mala – que já estava pronta –
saio pra vida, pra buscar meus sonhos
e enfrento o mundo…carregando a mala…

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DESENCANTO (leni)

Quanta ilusão, na vida que sonhei, outrora
quanta mentira existe, solta aos quatro cantos
desse mundo louco !
Foi tanto amor que eu dei, que fiquei sem nenhum
para viver agora…

mas, num delírio louco, eu bendigo o amor,
mas ninguém me escuta
e ridicularizam meu canto vazio,
tão vazio de amor, mas, de ilusão, repleto…
ilusão que o envolve e o torna sombrio.

Em meus olhos, há rastros profundos de pranto,
há desespero e mágua em meu triste poema
já despido de sonho e vazio de canto.

Sairei pelo mundo, a procura do amor, para ver se ele existe
e à ele, entregarei este verso sem rima,
que agora, descrente, componho em seu louvor.

E caso eu o encontre, em um canto de amor,
sincero e mais profundo,
bendirei esse amor, divino e puro amor,
até o fim do mundo…

DESPEDIDA (Leni)

O teu rastro ficou marcado em meu caminho.
Em minha vida, um sofrimento eterno,
de uma ilusão que se desfez em pranto.
Ave estranha, que invadiu meu ninho.

Um ribombar insiste agora em meus ouvidos
de melodia inacabada e triste
tocando ao longe, num cortejo estranho.
Gritos sem volta…soluços contidos…

Quero sonhar a noite – quem me dera –
Espero o dia, que se foi há pouco.
Que me desculpe o mundo, ou quem me chama.
Quero partir, pois ninguém mais me espera