DECEPÇÃO (Leni)

Como um cortejo de morte,
sinto meu corpo partindo.
Fujo de todos, com medo
da angústia que estou sentindo.

Sou pássaro, solitário, voando em busca dos pais.
Sou como árvore triste,
que ao ver seu galho caindo,
em vão, procura firmá-lo,
mas, forças, já não tem mais.

Estou tão só, neste mundo,
que viver nem me interessa.
Corram todos, passem todos
por mim, que não tenho pressa.

Não sei definir meu canto,
nem mesmo explicar meu pranto.
Qual apartamento, vago,
meu coração, tão sozinho, tem  placa para alugar.
Mas, como dono zeloso,
vou pedir, pra quem se informa,
que volte num outro dia,
pois agora, urgentemente,
vou fechá-lo pra reforma.