VIAGEM PROGRAMADA (leni)

E a mala pronta…eternamente pronta…
num canto ermo da imaginação.
E o sol na porta
me cobrando a vida,
me cobrando os sonhos,
me mostrando a hora

E a mala pronta…eternamente pronta…
e essa ilusão, a me chamar de volta.
E o sol na porta,
me mostrando a vida,
me mostrando os sonhos,
me cobrando a hora.

Lá fora, é dia…enquanto dentro, há noite…
E o sol na porta, enquanto dentro, há sombra.
Arrumo a mala – que já estava pronta –
saio pra vida, pra buscar meus sonhos
e enfrento o mundo…carregando a mala…

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SE PUDESSES… (leni)

Se pudesses sentir o vazio profundo, que me vai na alma,
e essa angústia, sem fim, que matou a ilusão
e atormenta meus sonhos,
sentirias a dor de uma noite sem lua,
de céu sem estrelas,
nesses olhos de inverno, chorando tristezas,
morrendo…sombrios…

Se pudesses o frio dest’alma aquecer e fazê-la contente,
reviverias em mim, alegrias inertes, de um mundo acabado
e verias pulsar novamente em meu peito infeliz, maltratado,
um coração que há muito… de tanto sofrer,
já estava parado…

DESENCANTO (leni)

Quanta ilusão, na vida que sonhei, outrora
quanta mentira existe, solta aos quatro cantos
desse mundo louco !
Foi tanto amor que eu dei, que fiquei sem nenhum
para viver agora…

mas, num delírio louco, eu bendigo o amor,
mas ninguém me escuta
e ridicularizam meu canto vazio,
tão vazio de amor, mas, de ilusão, repleto…
ilusão que o envolve e o torna sombrio.

Em meus olhos, há rastros profundos de pranto,
há desespero e mágua em meu triste poema
já despido de sonho e vazio de canto.

Sairei pelo mundo, a procura do amor, para ver se ele existe
e à ele, entregarei este verso sem rima,
que agora, descrente, componho em seu louvor.

E caso eu o encontre, em um canto de amor,
sincero e mais profundo,
bendirei esse amor, divino e puro amor,
até o fim do mundo…

ILUSÃO (Leni)

Eu esperei em vão, naquela noite fria,
tão escura noite !
As badaladas tristes, do relógio velho
relembravam sempre teu carinho ausente,
acordando, assim, o meu olhar parado,
que tranquilamente, sem chorar, dormia.

Eu esperei em vão, naquela noite fria,
tão escura noite!
e pressentia sempre, num delírio louco, teus passos chegando
e corria então, alucinadamente, ao teu bendito encontro.
E na cruel corrida, deparava sempre com a realidade,
que de olhar severo, cínica e maldosa, sem sorrir, me olhava.

Sem esperança e sonhos, a sentir a dor de uma esperança morta,
adormeci chorando, na imensa penumbra da sala vazia
pra no outro dia acordar sorrindo, para novos sonhos
e esse amor perdido, esperar, em vão, em outras noites frias.