DÚVIDA ( leni )

Já nem sei mais dizer se te amo…ou amei…
pois não sinto pulsar em minh’alma dorida,
alegrias que outrora, incessantes brincavam
em meus sonhos, sentido tua voz querida

Já não brilha em meus olhos, a mesma chama ardente
que outrora brilhava em minhas noites frias
e a vida, que um dia, senti palpitante,
não possui mais amor, eu a tenho vazia…

E nem sei explicar essa louca mudança,
se meus sonhos, banhados de amor e esperança
procuravam teus olhos tão puros e calmos
numa ânsia de amor, te buscando, e ora vejo
tudo isso ruindo…

E assim, num lampejo, esse amor que era meu,
destruido…acabado…

Eu queria voltar a te amar loucamente
e vibrar ao ouvir tuas frases queridas
que me traziam paz e me prendiam a vida
e perder-me em teus braços, sonhadora e amante,
esquecendo do mundo e dessa vida errante…

Mas, amor como antes, sentir já não posso
e prossigo chorando e solidão sentindo
em meus olhos de inverno tão frios e tristes.

E sem ninguém no mundo, sigo a triste jornada.
E num lugar qualquer, em qualquer uma estrada,
vou parar e morrer…
pois sentí que no mundo, dessa vida mesquinha,
já não tenho mais nada…

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ILUSÃO (Leni)

Eu esperei em vão, naquela noite fria,
tão escura noite !
As badaladas tristes, do relógio velho
relembravam sempre teu carinho ausente,
acordando, assim, o meu olhar parado,
que tranquilamente, sem chorar, dormia.

Eu esperei em vão, naquela noite fria,
tão escura noite!
e pressentia sempre, num delírio louco, teus passos chegando
e corria então, alucinadamente, ao teu bendito encontro.
E na cruel corrida, deparava sempre com a realidade,
que de olhar severo, cínica e maldosa, sem sorrir, me olhava.

Sem esperança e sonhos, a sentir a dor de uma esperança morta,
adormeci chorando, na imensa penumbra da sala vazia
pra no outro dia acordar sorrindo, para novos sonhos
e esse amor perdido, esperar, em vão, em outras noites frias.