ETERNA ROSA DOS VENTOS (leni)

Cheiro de terra molhada…um vento arrastando folhas,
um sino sempre entoando um canto de liberdade
num mosteiro solitário…
A chuva caindo em prata
no chão coberto de folhas.

Sol vermelho, despedindo do campo em final de dia…
colorindo o universo com as cores do arco íris
Aves, sempre em revoada pra encontrar seu descanso
Terra, onde plantei meus sonhos
que se confundem com a lua.

A noite se aproxima, mas o dia continua
se recusa a ir embora!
Panorama de saudade da infância que me acompanha.

Menina, meus pés descalços, sentindo a terra molhada,
depois que a chuva caiu.
Nostalgia das lembranças com cheiro de liberdade.
Desperta minha saudade…sacia meu coração…

Aguça tantas lembranças, num misto de sentimentos
que só tem quem pisa aqui.
Quero me plantar na terra, montanhas e cachoeiras
e ficar a vida inteira entrelaçada com o vento
perpetuando os momentos desse mágico lugar.

Tudo por aqui fascina…Toquinho, Amora, Menina
com a ternura da Nina…e os dengos do Jatobá
numa constante harmonia, entre montanhas e vales…
muitas redes na varanda e os cantos de Joáo Bá.

A lua, é prata incrustada nesse incrível firmamento
e a beleza pura e rara das tardes nas cachoeiras,
das noites entre fogueiras

Quero me plantar nas matas com cheiro de hortelã
e acordar impregnada com perfume de alecrim
anoitecer iluminada pelo ” sol” dos vagalumes
e amanhecer com o canto dos pássaros só pra mim

Tudo isso existe aqui… tudo isso só se vive
entrelaçado a momentos
de magia, que se encontram nesse mágico lugar…
de sonhos e encantamentos…
que se enraízam e eternizam
na eterna Rosa dos Ventos.

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AUSÊNCIA (Leni)

Num dia triste e sem graça,
mais outono, que verão…com vento frio, soprando
e a chuva, querendo cair, invadindo a estação…

Você partiu…sem aviso…
sem carta…sem despedida…
suavemente e tranquila,
como foi a tua vida.

Não adiantaram pranto, tristeza, preces nem luto…
a cama ficou vazia…
aqui, só restou teu fruto.

Eram dois…sobreviveram
sem alento…sem você…
Seguiram em frente, sozinhos,
cercados por tanta gente…
tremendamente sozinhos!

Hoje, adultos, vida afora,
maturaram em estufas
passando anos inteiros buscando tua raiz.
Choramos há 15 anos, esse espaço tão vazio.
Temos saudade de tudo que você foi e seria…

Todos sofrem…teus alunos, teu coral, tua família.
Todos choram a ausência
dessa mulher verdadeira, destemida e tão criança !

Descansa, Lia-menina…
Lia-mulher, companheira…
Nós aqui, não te esquecemos, minha fiel escudeira…

Por tantos sonhos sonhados, sonhos de uma vida inteira
que você deixou pra trás,
nós te rendemos tributo,
eternamente de luto por você, meu ombro amigo…

Esposa e mãe valorosa,
filha, irmã, amiga, tia…
Essa era nossa Lia
essa era nossa pomba, que voou num certo dia…
escapou de nossas mãos, voando em rumo certeiro,
pra glória, pro infinito,
para um lugar tão bonito que Jesus lhe reservou.

Aumentaram as estrelas e as luzes, no infinito
por esse canto bonito, que a todos contagiou
e enquanto aqui caminhava, você nos presenteou.

Agora, voa e brilha no céu azul dos teus sonhos
pois nossos olhos, tristonhos, não te alcançarão jamais.
Voa…garça destemida…
Voa…andorinha livre…

Há 15 anos sofridos, essa dor nos ameaça
pois você se foi pra sempre e nos deixou, desde então…
partindo pro teu destino,
num dia triste e sem graça
mais outono…que verão..

DESISTÊNCIA (leni)

Para que insistir, se não existe sonho ?

Para que sofrer mais, se não existe nada ?

Quero apenas viver… e isso é tão difícil ?

Quero apenas amar, agora, e ser amada…

Quero o vento de outono, penteando de leve

meu cabelo escuro.

Quero o sol da manhã, penetrando em minh’alma,

coração e mente.

Quero a chuva, molhando meus pés na calçada,

com seus pingos quentes.

Sei que está tão distante, embora tão presente.

Te procuro, não vejo. Te solicito, me negas.

Nada mais temos enfim, a nos dizer agora.

Quero falar, não consigo,

quero sonhar, não me atrevo.

Fechei a vida, me negando sonhos,

nessa eterna clausura de teus sentimentos.

Quero abrir essas portas, para ver se inda há sol.

Quero amar, quero sorrir,

quero viver, enfim…

quero gostar de mim.

Duas flores despertam, desabrocham pra vida

e eu devo cuidar, pra que não murchem cedo.

Não posso definhar, esperando sentada esse amor tão incerto.

Não posso caminhar,

não vendo ao meu redor, você…que me sorria…

Quero parar agora e acender a chama de amor,

que ainda brilha…

Quero entregar à você, que procuro na noite

escura dos meus sonnhos…

à você, que me envolve e também me procura.

Estou desencantada, sem alento algum

pra prosseguir na vida.

Vou resistir, sem medo, a dor que se aproxima.

Vou te esquecer, se puder…

vou ver se sigo em frente

sentindo o gosto amargo, do fruto que secou

em minha vida e mente