DÚVIDA ( leni )

Já nem sei mais dizer se te amo…ou amei…
pois não sinto pulsar em minh’alma dorida,
alegrias que outrora, incessantes brincavam
em meus sonhos, sentido tua voz querida

Já não brilha em meus olhos, a mesma chama ardente
que outrora brilhava em minhas noites frias
e a vida, que um dia, senti palpitante,
não possui mais amor, eu a tenho vazia…

E nem sei explicar essa louca mudança,
se meus sonhos, banhados de amor e esperança
procuravam teus olhos tão puros e calmos
numa ânsia de amor, te buscando, e ora vejo
tudo isso ruindo…

E assim, num lampejo, esse amor que era meu,
destruido…acabado…

Eu queria voltar a te amar loucamente
e vibrar ao ouvir tuas frases queridas
que me traziam paz e me prendiam a vida
e perder-me em teus braços, sonhadora e amante,
esquecendo do mundo e dessa vida errante…

Mas, amor como antes, sentir já não posso
e prossigo chorando e solidão sentindo
em meus olhos de inverno tão frios e tristes.

E sem ninguém no mundo, sigo a triste jornada.
E num lugar qualquer, em qualquer uma estrada,
vou parar e morrer…
pois sentí que no mundo, dessa vida mesquinha,
já não tenho mais nada…

DESPEDIDA (Leni)

O teu rastro ficou marcado em meu caminho.
Em minha vida, um sofrimento eterno,
de uma ilusão que se desfez em pranto.
Ave estranha, que invadiu meu ninho.

Um ribombar insiste agora em meus ouvidos
de melodia inacabada e triste
tocando ao longe, num cortejo estranho.
Gritos sem volta…soluços contidos…

Quero sonhar a noite – quem me dera –
Espero o dia, que se foi há pouco.
Que me desculpe o mundo, ou quem me chama.
Quero partir, pois ninguém mais me espera

MEUS FILHOS (Leni)

Eu pensei em fazer um poema de canto,
onde houvesse alegria, ternura, carinho e a tristeza não mais penetrasse com o pranto
em meus versos sem sonhos,  estrada sem caminho…

Eu queria escrever e falar de alegrias,
dessa brisa serena, imensa poesia,
que baila contente e  embala meu canto
e enfeita esta tarde de frio…tão triste…

Mas eu não conseguia achar um momento
onde a paz preenchia meus dias e sonhos
e falei de tristeza…ilusão…desamores,
relembrando somente momentos tristonhos

E em tamanha tristeza, imensa agonia,
já não via mais nada que acalentasse
meus dias e sonhos, meus versos e cantos
e essa chama de dor, de minh”alma apagasse…

Nessa dor incessante, cruel desencanto,
procurei um alento, um consolo, um descanso
e busquei entre as flores do jardim, um canto…

E lá estavam  vocês…doce olhar…riso manso
e seguindo esse rastro, encontrei esperança
e falei em vocês, meus encantos e amores
pra não dizer…enfim…que não falei de flores!