PARA MEU NETO (leni)

Essa coisinha miúda, que atravessou meu caminho,
e chegou como uma estrela, com muita luz, tanto brilho!
Que vem com seu jeito próprio de ser feliz e viver…
É um raio de esperança
É tão feliz…é criança…
É como chuva fininha, que cai e acalma o calor.

Tem um rosto iluminado, que minhas mágoas espanta.
Enxuga minha tristeza, acende minha alegria,
nem percebe, mas, me encanta, quando fala, distraído,
quando me chama “vovó”.

Estou falando de sonho, de amor, de um mundo encantado.
Estou falando de vida, de um ser tão pequenininho,
que me inunda de alegria e faz feliz meu caminho.

Ele é minha estrela guia.
Ele é o sopro de vida que faltava em minha vida !
É o sonho que renasce, brotando na esperança desse rosto de criança,
que chegou sem avisar,
mas chegou na hora certa, alegrando meu caminho
Esse eterno passarinho, voando por trilha certa, eternizando meus sonhos
reavivando a esperança…

Não pede nada, só doa…só precisa ser amado
esse ser abençoado, que chegou para somar.
Fruto de amor, semeado, adubado com carinho,
chegou pra nos dar certeza que vale a pena sonhar.

Do amor, ele é o fruto…da “Luana”, o “bisunguinho”…
de todos nós, a alegria
e como ele mesmo se chama,
“Flavinho Siqueira Filhinho”

———-o0o———-

Anúncios

PEDAÇO DE LUA… (Leni)

Todos os dias, assisto, da varanda, sempre atento,
ela passando…sozinha…seguindo com passos lentos,
olhos vividos, perdidos, carregando suas crenças,
corpo cedendo, tombado ao peso de seu cansaço.

Passa trôpega…e os pés, que pouco a pouco se movem,
arrastados, me comovem…
com a lentidão de seus passos.

Quantas vezes já passou por esses mesmos caminhos!
quantos passos caminhou, pra chegar devagarinho,
virando na mesma esquina…

Mas chega cedo demais !!
e ali, cansada, espera, encostada nas paredes,
que se abra o portão verde, pra entrar em seu refúgio.

Caminha mais e espia…a porta, ainda fechada !
para, senta e conformada, aguarda a hora de entrar.
Vem de longe, vem andando…
sob chuva, sol ou vento,
vem a procura de alento em sua fé costumeira.

Oito décadas e tanto…
denuncia, sem piedade, seu ralo cabelo branco…
Mas ela passa, vaidosa, retocando-se no espelho
apoiado em sua bolsa, em cima de seu joelho.

E eu fico olhando, com espanto, a força, a garra, a coragem,
de fazer essa viagem parecer tão prazerosa…
Quanto tempo inda lhe resta?
Não sei, mas sinto que a vida
lhe abastece de sonhos, que ativam a esperança
dessa mulher corajosa, que na fé encontra forças
pra esse caminhar diário…

E quando as portas se abrem…
ela entra, resoluta e abrindo então seu hinário,
senta…descansa…e…canta…!
No final, revigorada, retorna pra sua luta.

E na varanda, espero a volta com hora certa
dessa mulher cabisbaixa, que olhares sempre desperta,
quando passa em  minha rua.

Quando chega, ainda de dia, com o sol brilhando em seu rosto,
vejo clara a imagem sua…
Quando volta, me enternece, esse rosto renovado,
cintilando toda a rua
e aos meus olhos parece, que seu cabelo de prata
é um pedaço da lua…

DESPEDIDA (Leni)

O teu rastro ficou marcado em meu caminho.
Em minha vida, um sofrimento eterno,
de uma ilusão que se desfez em pranto.
Ave estranha, que invadiu meu ninho.

Um ribombar insiste agora em meus ouvidos
de melodia inacabada e triste
tocando ao longe, num cortejo estranho.
Gritos sem volta…soluços contidos…

Quero sonhar a noite – quem me dera –
Espero o dia, que se foi há pouco.
Que me desculpe o mundo, ou quem me chama.
Quero partir, pois ninguém mais me espera