MENINA… MULHER (leni)

Como seria esta vida, se eu não tivesse você ?
Que cor seria este mundo, sem você pra colorir ?
Os dias seriam tristes, a lua muito mais fria,
meus momentos solitários,
minh’alma sempre vazia…

Como sobreviveria, sem teu sorriso constante…
sem teu carinho singelo
e os momentos confortantes
que seu olhar irradia…
árvore fresca e frondosa, a me cobrir cada dia…

Constante, sempre ao meu lado
mão amiga e solidária
minimizando as agruras
das guerras… quando me assaltam,
dos colos…quando me faltam.

Só você me acompanha
na estrada longa e distante
dessa vida solitária…

Você é minha alegria,
Você…eterna criança, com força de gente grande,
que em noites tão mal dormidas,
consegue ver esperança.

Você, menina…mulher
companheira de jornadas,
ignorando os fracassos,
com braços sempre abertos,
pra repousar meu cansaço.

É pra você que eu escrevo…
É por você, meu desejo de prolongar os meus dias
teu carinho em minha estrada,
sepulta minha tristeza, ressalta minha alegria.

Amor sem troca…sem troco…
num coração que cintila
eternamente menina…
eternamente em meus sonhos…
eternamente…Camila…

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PEDAÇO DE LUA… (Leni)

Todos os dias, assisto, da varanda, sempre atento,
ela passando…sozinha…seguindo com passos lentos,
olhos vividos, perdidos, carregando suas crenças,
corpo cedendo, tombado ao peso de seu cansaço.

Passa trôpega…e os pés, que pouco a pouco se movem,
arrastados, me comovem…
com a lentidão de seus passos.

Quantas vezes já passou por esses mesmos caminhos!
quantos passos caminhou, pra chegar devagarinho,
virando na mesma esquina…

Mas chega cedo demais !!
e ali, cansada, espera, encostada nas paredes,
que se abra o portão verde, pra entrar em seu refúgio.

Caminha mais e espia…a porta, ainda fechada !
para, senta e conformada, aguarda a hora de entrar.
Vem de longe, vem andando…
sob chuva, sol ou vento,
vem a procura de alento em sua fé costumeira.

Oito décadas e tanto…
denuncia, sem piedade, seu ralo cabelo branco…
Mas ela passa, vaidosa, retocando-se no espelho
apoiado em sua bolsa, em cima de seu joelho.

E eu fico olhando, com espanto, a força, a garra, a coragem,
de fazer essa viagem parecer tão prazerosa…
Quanto tempo inda lhe resta?
Não sei, mas sinto que a vida
lhe abastece de sonhos, que ativam a esperança
dessa mulher corajosa, que na fé encontra forças
pra esse caminhar diário…

E quando as portas se abrem…
ela entra, resoluta e abrindo então seu hinário,
senta…descansa…e…canta…!
No final, revigorada, retorna pra sua luta.

E na varanda, espero a volta com hora certa
dessa mulher cabisbaixa, que olhares sempre desperta,
quando passa em  minha rua.

Quando chega, ainda de dia, com o sol brilhando em seu rosto,
vejo clara a imagem sua…
Quando volta, me enternece, esse rosto renovado,
cintilando toda a rua
e aos meus olhos parece, que seu cabelo de prata
é um pedaço da lua…

AUSÊNCIA (Leni)

Num dia triste e sem graça,
mais outono, que verão…com vento frio, soprando
e a chuva, querendo cair, invadindo a estação…

Você partiu…sem aviso…
sem carta…sem despedida…
suavemente e tranquila,
como foi a tua vida.

Não adiantaram pranto, tristeza, preces nem luto…
a cama ficou vazia…
aqui, só restou teu fruto.

Eram dois…sobreviveram
sem alento…sem você…
Seguiram em frente, sozinhos,
cercados por tanta gente…
tremendamente sozinhos!

Hoje, adultos, vida afora,
maturaram em estufas
passando anos inteiros buscando tua raiz.
Choramos há 15 anos, esse espaço tão vazio.
Temos saudade de tudo que você foi e seria…

Todos sofrem…teus alunos, teu coral, tua família.
Todos choram a ausência
dessa mulher verdadeira, destemida e tão criança !

Descansa, Lia-menina…
Lia-mulher, companheira…
Nós aqui, não te esquecemos, minha fiel escudeira…

Por tantos sonhos sonhados, sonhos de uma vida inteira
que você deixou pra trás,
nós te rendemos tributo,
eternamente de luto por você, meu ombro amigo…

Esposa e mãe valorosa,
filha, irmã, amiga, tia…
Essa era nossa Lia
essa era nossa pomba, que voou num certo dia…
escapou de nossas mãos, voando em rumo certeiro,
pra glória, pro infinito,
para um lugar tão bonito que Jesus lhe reservou.

Aumentaram as estrelas e as luzes, no infinito
por esse canto bonito, que a todos contagiou
e enquanto aqui caminhava, você nos presenteou.

Agora, voa e brilha no céu azul dos teus sonhos
pois nossos olhos, tristonhos, não te alcançarão jamais.
Voa…garça destemida…
Voa…andorinha livre…

Há 15 anos sofridos, essa dor nos ameaça
pois você se foi pra sempre e nos deixou, desde então…
partindo pro teu destino,
num dia triste e sem graça
mais outono…que verão..

DESISTÊNCIA (leni)

Para que insistir, se não existe sonho ?

Para que sofrer mais, se não existe nada ?

Quero apenas viver… e isso é tão difícil ?

Quero apenas amar, agora, e ser amada…

Quero o vento de outono, penteando de leve

meu cabelo escuro.

Quero o sol da manhã, penetrando em minh’alma,

coração e mente.

Quero a chuva, molhando meus pés na calçada,

com seus pingos quentes.

Sei que está tão distante, embora tão presente.

Te procuro, não vejo. Te solicito, me negas.

Nada mais temos enfim, a nos dizer agora.

Quero falar, não consigo,

quero sonhar, não me atrevo.

Fechei a vida, me negando sonhos,

nessa eterna clausura de teus sentimentos.

Quero abrir essas portas, para ver se inda há sol.

Quero amar, quero sorrir,

quero viver, enfim…

quero gostar de mim.

Duas flores despertam, desabrocham pra vida

e eu devo cuidar, pra que não murchem cedo.

Não posso definhar, esperando sentada esse amor tão incerto.

Não posso caminhar,

não vendo ao meu redor, você…que me sorria…

Quero parar agora e acender a chama de amor,

que ainda brilha…

Quero entregar à você, que procuro na noite

escura dos meus sonnhos…

à você, que me envolve e também me procura.

Estou desencantada, sem alento algum

pra prosseguir na vida.

Vou resistir, sem medo, a dor que se aproxima.

Vou te esquecer, se puder…

vou ver se sigo em frente

sentindo o gosto amargo, do fruto que secou

em minha vida e mente

SE PUDESSES… (leni)

Se pudesses sentir o vazio profundo, que me vai na alma,
e essa angústia, sem fim, que matou a ilusão
e atormenta meus sonhos,
sentirias a dor de uma noite sem lua,
de céu sem estrelas,
nesses olhos de inverno, chorando tristezas,
morrendo…sombrios…

Se pudesses o frio dest’alma aquecer e fazê-la contente,
reviverias em mim, alegrias inertes, de um mundo acabado
e verias pulsar novamente em meu peito infeliz, maltratado,
um coração que há muito… de tanto sofrer,
já estava parado…

SONETO PRA VOCÊ (leni)

É uma saudade tão antiga, essa que sinto agora…
Uma dor tão profunda, que meu ser todo envolve.
já tanto tempo faz que partiste…e agora,
recomeço a sofrer a dor desse vazio.

As vezes, me pergunto se de fato partiste,
pois até tua voz inda canta em meu quarto silencioso.
E as gargalhadas loucas, que juntos, tantas vezes demos,
parece que renascem,  mas,  ao tentar ouví-las, emudecem…

Faz tanto tempo agora, e já nem lembro quando,
com frases apaixonadas, gravamos nosso amor
nas árvores e folhas daquele nosso jardim…
e agora, já distantes dos meus sonhos adultos,
tombaram na saudade e na dor desse silêncio.

Não me afagam mais tuas mãos,
não me contemplam mais, com aquela ternura, teus olhos de paixão…
Se pudesses saber como te amo, ainda !
Mas, jamais saberás…
pois nem àquelas árvores, contei o meu segredo
e nem ao menos, saberás que é de tí que eu falo…

Estou só…o meu mundo está tão vazio, que chego a sentir medo.
Medo do silêncio, medo da solidão,
dessa saudade que voltou…

Ah…como é triste ficar sem você,
saber-te tão distante !
Onde te encontrar ? Onde te procurar ?
Eu nem ao menos, sei…

Vou esperar que a dor do meu amor
chegue até onde estás e te traga de volta.
Pois a saudade é terrível…acredite…
E é grande…é muito grande !