SAUDAÇÃO (Leni)

Olá amigo Sol…há quanto não o via !
como estás diferente !
com todo esse esplendor, parece até que estás mais quente…!

Sabe, Sol vou te contar, na tua ausência,
o que de bom e mau aconteceu na Terra.
Não sei bem se de bom  terei muito que dizer,
porém, vou explicar como essa tua amiga,
a tal substituta que aquí deixaste,
se portou nas longas férias que tiraste.

Não sei se por maldade, ou por necessidade,
ela chegou feroz, medonha, irreverente,
a derrubar moradas, destelhar abrigos,
a ceifar até a vida de muito ser inocente,
que saudosos de tí, nem te puderam ver.

Quanta coisa aconteceu nesse louco período.
Nem imaginas como és estimado e querido.
A Terra, inteirinha…chorava dia e noite com saudade sua.
Estava fria e triste, abandonada e vazia.
Eu cheguei mesmo a pensar que já não mais voltarias.

Mas…que há ? Estás partindo ?
Já sei…queres brincar que estás
abandonando novamente o mundo.
Mas eu sei que não vais, estás apenas triste.
Também, nem bem chegaste
e as mágoas passadas já te fiz saber !

Eu sei que vais voltar e chegarás sorrindo
e aqui ficarás para sempre…deveras…
e nos encontraremos por muito tempo ainda,
felizes, entre flores, em muitas primaveras

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ESPERA (J G de Araújo Jorge)

Se tivesses mandado uma palavra -“Espera”-
Sem mais nada…nem mesmo dizer até quando
eu teria ficado até hoje esperando
era a eterna ilusão de que foras sincera.

Que importaria a vida, o sol, a primavera,
se tu eras a vida…o sol…a flor desabrochando…
se tivesses mandado uma palavra -“Espera”-
eu teria ficado até hoje esperando.

Não mandaste…tu nada disseste e eu segui,
sem saber que fazer da vida que era tua,
procurando com o mundo, esquecer-me de ti.

Porém, o destino, irônico e mordaz,
ontem fez-me cruzar com teu olhar na rua,
ouvir-te dizer -“Espera”-
e ser tarde demais…-

OS CISNES (Julio Salusse)

A vida, manso lago azul, algumas vezes.
Algumas vezes, mar fremente.
Tem sido, para nós, constantemente,
um navegar sem ondas, sem espumas.

Quando das vagas, desfazendo as brumas matinais,
rompe um sol vermelho e quente,
nós dois, vagamos, indolentemente,
como dois cisnes de alvacentas plumas.

Um dia, um cisne morrerá, por certo
quando chegar esse momento incerto
no lago, onde talvez a água se tisne,
que o cisne vivo, cheio de saudade,
nunca mais cante, nem sozinho nade,
nem nade nunca ao lado de outro cisne

ILUSÃO (Leni)

Eu esperei em vão, naquela noite fria,
tão escura noite !
As badaladas tristes, do relógio velho
relembravam sempre teu carinho ausente,
acordando, assim, o meu olhar parado,
que tranquilamente, sem chorar, dormia.

Eu esperei em vão, naquela noite fria,
tão escura noite!
e pressentia sempre, num delírio louco, teus passos chegando
e corria então, alucinadamente, ao teu bendito encontro.
E na cruel corrida, deparava sempre com a realidade,
que de olhar severo, cínica e maldosa, sem sorrir, me olhava.

Sem esperança e sonhos, a sentir a dor de uma esperança morta,
adormeci chorando, na imensa penumbra da sala vazia
pra no outro dia acordar sorrindo, para novos sonhos
e esse amor perdido, esperar, em vão, em outras noites frias.

NINHO VAZIO (Leni)

E o momento passou…sem que eu pudesse, ao menos,
perceber que era tarde.
Em meu ninho vazio, restaram farelos perdidos, de sonhos.
Essa estrada levou-me a caminhos incertos, sombrios, sem vida.
E aqui na encruzilhada sentei-me e fiquei nessa espera sofrida,
sem saber se inda voltas ao nosso caminho, de espinhos, sem flores.

Senta um pouco ao meu lado,
e vê se inda te queima essa paixão vivida
olha bem em meus olhos
e vê se o antigo brilho, ainda te ofusca tanto!
Não sei…talvez, a vida que vivi, mentida,
apagasse meus olhos e esfriasse tanto essa paixão contida

Vê se lembra das frases de amor, que nunca te disse…
mas, queria tanto !
E a febre de amor, no leito solitário, que enfrentei, te lembras?
Quantas vezes, morri, chorando a tua ausência,
que se fez eterna.

Quantas vezes, calada, com o  olhar perdido,
te sonhei chegando…
Mas nunca saberás
pois nem sequer percebes que por tí, eu morro
nem que a chama, que ardia em minh’alma,
apagou, por falta do teu beijo.

Se algum dia souberes, e assim, compreenderes
a falta que me fazes,
corra para os meus braços e me faças saber
do amor que me escondias,
pra que eu reviva, e sinta que o amor inda existe
em minha amarga vida
e não deixe passar o momento esperado, buscado e perdido
e não venha chorar, ao saber, que pra nós dois,
mais uma vez…é tarde..

MEU SEGREDO (Leni)

Se eu te dissesse que na noite escura
vejo teus olhos para mim brilhando,
e que na noite densa, que não finda,
teus lábios sinto, num perene encanto,
tu saberias do amor que agora sinto
e em mim, verias tu…se eu te dissesse…

Se tu soubesses que no inverno, triste,
o teu calor me acompanha e aquece,
e a minh’alma, que de amor chorava,
de solidão, agora não padece,
tu saberias do amor, que agora sinto
e em mim, verias tu…se eu te dissesse…

Se eu te pudesse confessar o pranto,
que nas horas amargas, por tí choro
e os momentos de dor, que me sufocam
nas longas horas, quando estás ausente,
tu saberias do amor, que agora sinto
e em mim, verias tu…se eu te dissesse…

Porém, não posso confessar-te agora
porque se tu soubesses, sofrerias
por não poder me amar completamente
então não falo e sofro só…calada…
e não desejo ouvir o que dirias,
se desse amor, um dia…eu te dissesse

PARADA OBRIGATÓRIA ( Leni )

Chega um momento em que a vida nos prega
uma peça sem graça, que nos faz pensar…
Chega um momento em que a presença machuca
e a ausência é suave, como a garça no céu.

Chega um momento em que já não é preciso
sorrir pra ser feliz, nem chorar pra sofrer,
pois se pra tudo, é tarde !

Chega um momento, em que andar não é preciso
e correr, é melhor que estar sentada
e a marcha triste dessa caminhada
nos lembra noite escura de seresta
e um seresteiro…só…cantando ao som do nada.

Chega um momento em que as lágrimas brotam
e o sorriso salta, sem ter que ao menos explicar porque.
Chega um momento em que amar já não faz falta
e o sofrer nem ao menos incomoda.

Chega um momento em que  a vida em rebuliço
nos entrega a semente para ser replantada.
E essa  semente é vida
e essa vida é tudo
e esse tudo começa, e, novamente acaba,
e se transforma em pó
e num repente…é nada.