DECEPÇÃO (Leni)

Como um cortejo de morte,
sinto meu corpo partindo.
Fujo de todos, com medo
da angústia que estou sentindo.

Sou pássaro, solitário, voando em busca dos pais.
Sou como árvore triste,
que ao ver seu galho caindo,
em vão, procura firmá-lo,
mas, forças, já não tem mais.

Estou tão só, neste mundo,
que viver nem me interessa.
Corram todos, passem todos
por mim, que não tenho pressa.

Não sei definir meu canto,
nem mesmo explicar meu pranto.
Qual apartamento, vago,
meu coração, tão sozinho, tem  placa para alugar.
Mas, como dono zeloso,
vou pedir, pra quem se informa,
que volte num outro dia,
pois agora, urgentemente,
vou fechá-lo pra reforma.

TRISTE MANHÃ (Leni)

Nesta manhã…sem vida, amanhecí vazia
e nem sol existia, em meus olhos de inverno
e nem vida em meus sonhos, calor em meus lábios.
Já nada mais havia, na triste manhã…
louca manhã sem sol, manhã sem poesia.

Nem a lua, que ontem brilhava, sorrindo,
possuia também o esplendor tão profundo
que nas noites sem vida, acalentou meu mundo.

E calada…fiquei observando o nada
que em mim penetrou, na infeliz madrugada
quando o sol se escondeu e me deixou chorando,
pensativa e sozinha.

E sem você, sem sonho, a procurar alento,
eu chorei… e nem viver sequer mais, eu queria.
Sem alento, calada, solucei perdida.
E na manhã vazia…amanhecí sem vida.

ANGÚSTIA (Leni)

E o mundo parou, no momento supremo em que estava ao teu lado.
E você era o céu, a estrela, era a vida…
era a luz, que nas horas de angústia, de dor,
me sentindo perdida, meus passos guiava.

E com sede de amor, eu fiquei em teus braços,
feliz…sonhadora
esperando que as horas parassem pra sempre
e eu pudesse ficar com você e ser tua,
e envolvida em teus braços, esquecer dos meus dias.

Eu quisera poder mergulhar em teus olhos
e sorver esse amor que procurei…sonhando…
e jamais encontrei…
mesmo  assim, me enganando, eu queria ficar com você para sempre.

Mas, senti de repente, que tudo passava…
os dias corriam, a noite chegava, e fiquei triste e só…esperando você.
Mas, as horas, sem pena, passavam depressa
e numa sombra de dor, novamente envolvida,
eu fiquei esperando você – que não vinha –

Percebí, afinal, o meu sonho acabando
e nascendo outro dia…e a solidão chegando…
e na triste manhã, quando o dia acordou,
como o mundo, também, minha vida parou

LABIRINTO (Leni)

A vida está indo embora,
se esgotando, pouco a pouco
e eu ainda nem vivi !

Tudo passou tão depressa, mas chegou tão diferente
do que sonhei e queria…
Estou ferida e esfolada
meu coração bate forte, perdido, sem rumo certo.
O meu mundo está deserto,meu caminho tão estreito…
e não encontro a saída…

Eu fui seu alvo perfeito.
Fui atingida e marcada.
Vivo escondendo da vida,
com medo do que chegar, num pranto amargo e sofrido,
que por ninguém entender, eu o mantenho contido.

Apaguei todos os rastros, de todos os meus caminhos.
Deixei escuras, as estradas onde passei com meus sonhos.
Sonhei minha vida inteira…te fazer e ser feliz.
Não consegui…ou não pude…

Voce me imprensou no caminho, trancou a minha saída,
controlou também meus passos,
meus sonhos, minha tristeza,
me obrigou a ter saudade de tudo que eu possuia.

Pisou em meus sentimentos;
brincou com minha emoção,
destruiu minha vontade de viver e ser feliz.

Agora, não tenho alvo, nem meta a ser atingida
esqueci como se brinca…se sorrí…se é feliz…
Não tenho direito a nada.
De chorar – quando quiser-
de sorrir – se der vontade-
nem posso dizer se sofro, pois jamais me entenderias !

Perdí minha segurança, perdí minha confiança,
me perdí pelos caminhos, onde ando feito sombra.
Nem sei dizer o que sinto, dentro desse labirinto;
nem se vou achar saída…

Não sei como minha vida foi ficando desse jeito
sem brilho, sem esperança.
Vou tentar mudar meu mundo; vou ver se ainda consigo.
Vou refazer minha vida, por rumos bem diferentes.
Quero aprender ser sozinha e saber viver comigo.
Vou me trancar em mim mesma.

Não quero mais confessar minhas tristezas e mágoas,
pois você não foi sensível, pra entender meus sentimentos…
Nunca mais mostro meu pranto.
Vou ser feliz…eu garanto !

ENCONTRO INESPERADO (Leni)

Senhor, há quanto tempo que Te procurava,
mas, Te buscava tão longe…tão distante…
que não chegava a Te alcançar, jamais…

Eu pensei que estivesses nas alturas
e vestisses uma roupa tão alva, tão purpúrea…
que não pudéssemos, sequer, tocar em suas vestes !

Mas, me enganei…
e hoje sei onde estás realmente.
Ainda ontem, quando caminhava…Te encontrei !!
Sim…eu Te encontrei, lembras Senhor ?
Tu estavas rasgado e me pedias auxílio…

Quando voltei, a noite, Tu te lembras ?
novamente Te encontrei na rua,
naquela mãe chorando, com seu filho enfermo
que pedia ajuda, e a criança, mal agasalhada,
naquela noite fria, estava quase nua !

Agora sei que estás aqui, em meus irmãos,
quando os socorro, quando os auxilio.
Estou tentando seguir Tua filosofia :
-“FAMINTO ESTAVA E ME DESTES DE COMER…”

isso disseste um dia, há muito tempo…
mas, ainda hoje, essa frase está presente.
Já compreendo, enfim, como posso Te honrar
e já sei…afinal…onde posso Te achar.

Tanto tempo perdido eu passei procurando
a melhor forma de poder Te amar.
Ontem achei…e agora reconheço
que estavas ao meu lado a toda hora.
E ao invés disso, eu Te colocava
numa distância que não existia.
Pois estás muito perto, ali na rua,
a dormir na calçada, numa laje fria..

MEUS FILHOS (Leni)

Eu pensei em fazer um poema de canto,
onde houvesse alegria, ternura, carinho e a tristeza não mais penetrasse com o pranto
em meus versos sem sonhos,  estrada sem caminho…

Eu queria escrever e falar de alegrias,
dessa brisa serena, imensa poesia,
que baila contente e  embala meu canto
e enfeita esta tarde de frio…tão triste…

Mas eu não conseguia achar um momento
onde a paz preenchia meus dias e sonhos
e falei de tristeza…ilusão…desamores,
relembrando somente momentos tristonhos

E em tamanha tristeza, imensa agonia,
já não via mais nada que acalentasse
meus dias e sonhos, meus versos e cantos
e essa chama de dor, de minh”alma apagasse…

Nessa dor incessante, cruel desencanto,
procurei um alento, um consolo, um descanso
e busquei entre as flores do jardim, um canto…

E lá estavam  vocês…doce olhar…riso manso
e seguindo esse rastro, encontrei esperança
e falei em vocês, meus encantos e amores
pra não dizer…enfim…que não falei de flores!

RESTOS DE SAUDADE (Leni)

Eu precisava tanto de você agora…

Será que sabes que eu existo, ainda ?

Acho que não… e também já nem te lembras

dos nossos pactos de amor, jurados…tão solenes…

Eu sim, me lembro – e eram tão sinceros

-“Não quero ser de mais ninguém no mundo,

se teu carinho eu perder, um dia…”

Lembras agora ? Eu dizia, jurava e tú sorrias

e repetias o mesmo, murmurando em meus ouvidos.

Como…o tempo pode levar para tão longe

nossos sonhos, nossas alegrias

e deixar inda presente e tão marcada

uma paixão, que se acabou há tanto ? !

Sei que essas mágoas cicatrizam para muitos,

somente em mim, ela ficou tão viva !

Quando o tempo, em silêncio, por aqui passou,

ela fingiu que dormia e se escondeu, mentindo…

mas ficou aqui comigo…e agora, sempre acorda

para fazer chorar meu coração ferido.

Eu não queria saber que ainda choras tanto…

nem que te lembras tanto que eu existo ainda.

Eu só queria que, de vez em quando,

esta saudade minha fosse embora

e chegasse até você, para dizer…pedindo…

-Ela precisa muito de você, agora…